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domingo, 8 de janeiro de 2012

Afinal que diálogo é este ?

Domingo, quarto dia seguido escrevendo. Quem sabe apenas mais um destes desejos de ano novo sem apoio emocional profundo. Quem sabe um desejo profundo que esperou muitos anos velhos para nascer...
     Este é um espaço criado para ser paradoxal, ambíguo, inconclusivo. Caótico mas ordeiro, um lugar de diálogo, em prosa e verso. Um lugar to desagree without beeing desagreable.   Mas afinal, que diálogo é este? Também estou querendo aprender. Desejando profundamente vencer a velha dicotomia do concordar discordar, do acho o mesmo que você ou não acho. Se minhas, nossas opiniões não passam de achismos, porque levar tudo isso tão a sério? O que não quer dizer que eu não tenha a minha opinião e queira muto que você tenha a sua.
     Diálogo e paradigmas. Termos a serem definidos. Os alemães nunca começam a filosofar sem antes gastar muito tempo em definir os termos que estruturam as conversas. Paulo Freire, nosso renomado educador, diria que precisamos criar um vocabulário comum antes de começar a aprender. Lembra em seu Ação Cultural para  a Liberdade (anexo no final do texto), que as mesmas palavras tem significados diferentes e que escolhemos o que elas significam dependendo de nossa construção social. Lembra o grande mestre brasileiro, por exemplo, o significado atribuído à palavra soul entre as comunidades negras. Vamos lá então, seguir o velho, bom e inquestionável modelo germânico, o unindo ao método freiriano tão difundido na Europa e tão questionado aqui. Claro, para alguns o cara era marxista. Para outros não. Dialéticas dialógicas; 
     Diálogos. Copio e colo aqui um texto de uma escola que estou pensando em frequentar:


Etimologicamente o termo "Diálogo" resulta da fusão das palavras gregas dia e logos. Dia significa "através". Logos foi traduzida para o latim como ratio (razão). Mas tem vários outros significados, como "palavra", "expressão", "fala", "verbo" e, principalmente, "significado" propriamente dito. Na acepção mais antiga da palavra, logos significa "relação", "relacionamento". 
     Dessa maneira, o Diálogo é uma forma de fazer circular sentidos e significados. Isso quer dizer que quando o praticamos a palavra liga em vez de separar. Reúne em vez de dividir. Assim, o Diálogo não é um instrumento que busca levar as pessoas a defender e manter suas posições, como acontece na discussão e no debate. Ao contrário, sua prática está voltada para estabelecer e fortalecer vínculos e ligações, e a formação de redes; para a identificar, explicitar e compreender os pressupostos que dificultam a percepção das relações. Daí o nome de "redes de conversação", proposto para as experiências de reflexão conjunta, geração de idéias, educação mútua e produção compartilhada de significados. 
     O Diálogo é, por excelência, o processo através do qual identificamos e questionamos idéias e posições cristalizadas — os pressupostos sobre os quais se apóiam os nossos julgamentos, escolhas, preferências, ações. O Diálogo é mais do que uma técnica: é uma maneira de conduzir conversações que traz uma nova visão de mundo, de relacionamentos e de processos. Ao mesmo tempo, retoma práticas ancestrais de contato e de integração de grupos.
     A postura dialógica promove:
  1. A inclusão da subjetividade corretamente compreendida, ou seja, a percepção dos fenômenos e seu relato conforme experienciados por cada um;
  2. A abertura de um campo comum em que é possível produzir e compartilhar significados, ainda que extremamente diferentes ou até contraditórios;
  3. A ampliação desse campo compartilhado, tornando possível produzir novas idéias e visões sobre a realidade, através de uma conexão com o particular e o geral, com as partes e a totalidade;
  4. A criação e fortalecimento dos vínculos entre as pessoas, bem como a melhora na qualidade do "cimento social" dos relacionamentos;
  5. A observação do processo do pensamento, por meio do qual se formam julgamentos e preconceitos que dificultam a troca entre os seres humanos, com o ambiente, em todos os níveis;
  6. A melhora na comunicação entre as pessoas;
  7. O aprendizado de maneiras de lidar com o automatismo concordo-discordo e outros vícios vindos da conversação habitual — cartesiana, competitiva e pouco abrangente;
  8. A criação de redes de conversação.

    Bom, este pouquinho hoje sobre o que é diálogo. Amanhã vamos a algo mais difícil. Os paradigmas. Gostaria muito que você participasse. Você que mais uma vez pacientemente lê o esboço inicial de minhas reflexões sobre o diálogo, os paradigmas e as rupturas em direção a um progresso pós-pós-moderno pode me ajudar a romper com o paradigma de que um escreve e o outro lê.

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