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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O caos e a ordem

Nada teórico meu texto de hoje. Meus livros estão empilhados em cima da cama ou embaixo de uma lona na sala. O apartamento está sendo pintada e eu, tão eloquente ao falar de mudanças e revoluções fico exercitando o desapego à minha pretensa ordem. Tudo está lá, nada está no lugar. Tudo voltará a seu lugar, mas o lugar será diferente, terá outros cheiros, outras impressões, muita coisa será jogada fora. O desconstruir e desmontar mostra a inutilidade e obsolescência de tanta coisa.
     A Valéria, que é uma pessoa extremamente organizada e geradora de recursos, já vê o apartamento do futuro. Eu, o revolucionário, anseio por coisas perdidas em um breve presente, o livo que não vejo na estante, pior, a estante que não vejo da parede. 
     Caos e ordem, um binômio que dialoga e se reconcilia eternamente. Como muitos sabem e o amigo Albuca já pontuou, nossa querida religião cristã foi construída em cima dos mitos e temas da época. Para ser caricatural, da mesma maneira que a Igreja Universal tem rituais de afastamento de demônios e de curas por imposição de mãos muito parecidos com os dos cultos afro-brasileiros. Ou seja, fica a pergunta se as grandes mudanças de paradigma não se dão exatamente sempre com o uso hábil de aspectos do paradigma anterior. Let us pretend nothing has changed. 
   Prometi e prometo de novo que o tema não será religião. Mas a trindade hindu interessante neste contexto de caos, ordem, dissolução e solução. Ela é de certa forma antecessora da trindade que conhecemos no cristianismo. A chamada Trimurti significava e era composta por:

Trimúrti (em sânscrito: Trimurti, lit. "três formas") é a parte manifesta tripla da divindade suprema, além das representações do Brâman, fazendo-se tripla no intuito de liderar os diferentes estados do universo. A trimúrti é composta pelos três principais deuses do hinduismo: Brama, Vishnu e Shiva, que simbolizam respectivamente a criação, a conservação e a destruição. Shiva se apresenta como terceira pessoa o destruidor ou renovador. E claro que não há renovação sem criação nesse caso as três pessoas estão sempre manifestadas juntamente.

     Tudo isso para entender o porque das minhas paredes estarem sendo pintadas e os efeitos causais disso sobre meus livros e minha mente estarem uma zona equatorial totalmente destemperada. Desastres ambientais acontecem.
     Outra ideia paradigmática. Junto com a Trimurti, os antigos hindus consideravam o conceito da Tridevi, das três deusas. Cada um dos deuses tinha sua representação feminina, ou sua esposa na mitologia hindu. Saraswati, a esposa de Brama, é a deusa do aprendizagem e das artes, do preenchimento cultural. Lakshmi, a esposa de Vishnu, é a deusa da riqueza e fertilidade e do preenchimento material. Durga é a deusa do poder e do amor, do preenchimento espiritual. Na verdade aqui as coisas se confundem, pois a esposa, ou contraparte feminina de Shiva no sentido da destruição é a deusa Kali, a devoradora do tempo.
     Independente do nome das deusas, muitos concordam que as deusas nos foram roubadas no âmbito do paradigma machista hardcore positivista. Neutro e insensível, defensor da ordem a qualquer custo. Da mesma maneira que meus livros subiram e desceram de estantes, divindades sobem e descem, paradigmas são criados e devorados pelo tempo. Depois corrijo o português. Certo, errado... Ou isto ou aquilo.



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